O projecto Baralha surge a partir de um convite que me foi feito por Renzo Barsotti no âmbito do projecto Desalojar a Exclusão, numa co-produção entre a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, o Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua e a Castiis. “Baralha” pretende constituir-se como uma reflexão sobre as problemáticas da integração e, mais concretamente, sobre o modo de vida do acampamento cigano de Sanguedo cujo nome dá o título ao projecto.

Este trabalho pretende reflectir sobre a etnia cigana, a sua história, a sua organização social e os desafios desta cultura nos seus processos de interlocução com a sociedade envolvente, apresentando algumas definições e conceitos sobre o movimento social, na perspectiva de identificar as diferentes observações dos autores (que colaboraram no projecto), alguns elementos que possam indicar, a partir da inserção dos ciganos, a formulação de políticas para as minorias étnicas relatando um pouco da história do povo cigano, que é praticamente desconhecida ou muitas vezes contada de forma folclorizada ou demasiado romântica. O projecto foi desenvolvido em três fases distintas, durante um período total de aproximadamente um ano, procurando a colaboração e o envolvimento de toda a comunidade com o intuito de promover um encontro de culturas e a aproximação de duas sociedades distintas.

Inicialmente o projecto visava a criação de um espectáculo de rua tendo “Romeu e Julieta” de William Shakespeare como tema mas, com o desenvolvimento dos trabalhos, pareceu-me importante dar a conhecer a forma de vida em mutação desta população e a maneira como ela se está a adaptar a esta nova etapa. Presentes em Portugal desde o séc. XV, existem hoje em dia em Portugal cerca de 30 a 50 mil ciganos (segundo fontes diversas) sobre cuja cultura pouco ou nada sabemos. A comunidade cigana da Baralha resistiu a tudo e permanece bastante fechada ao exterior, num momento em que enfrenta um novo e decisivo desafio — a integração imposta em nome do progresso e da vontade política.

Concebi este projecto pioneiro no interior da comunidade da rua da Baralha como uma forma de aproximar estes dois universos tão distantes. Aqui, vários criadores trabalharam junto da população (dentro do próprio acampamento) na criação de pequenas obras que funcionam como uma reflexão sobre diversas problemáticas artísticas e sociais que derivam do contacto entre os criadores e a população deste acampamento. Estes constituem o itinerário do espectáculo multidisciplinar onde se cruzam vários olhares sobre a realidade tão difícil em que vive esta população em processo de adaptação.

Queria pois fazer um agradecimento muito especial aos criadores convidados para este projecto pelo empenho e dedicação que demonstraram em todos os momentos deste processo tão exigente e que produziram resultados difíceis de imaginar possíveis no início. Foram eles: Clara Andermatt, Beatriz Batarda, Dinarte Branco, Filipa César, Nuno Pino Custódio, Fernando Mota, André Príncipe bem como o atelier de design Barbara Says. Queria também agradecer à Susana Lamarão, Vanessa Patrício e ao Nuno Oliveira que acompanharam desde sempre com interesse este projecto. Mas sobretudo queria agradecer à família Monteiro que nos acolheu com enorme vontade de participar e dar a conhecer a sua cultura.

Marco Martins

 

logo Câmara Municipal de Santa Maria da Feira CCTAR Castis
Segurança Social Progride
logo Imaginarius

Ficha técnica

Ideia Original: Marco Martins
Coordenação Artística: Marco Martins
Assistente de Coordenação Artística: Vanessa Patrício
Coordenadora de Produção: Susana Lamarão
Concepção Cénica: Artur Pinheiro
Imagem: Miguel Manso, Miguel Carvalho
Som: Miguel Manso, Vanessa Patrício, Miguel Carvalho
Edição: João Pedro Moreira
Assistente de Artur Pinheiro: David Paredes
Desenho de Luz: Nuno Meira
Digitalização de Imagens: Taila Wang
Design Gráfico: Barbara Says


Ficha Técnica Artística

André Príncipe
Beatriz Batarda
Clara Andermatt
Dinarte Branco
Fernando Mota
Filipa César
Nuno Pino Custódio


Agradecimentos

Família Monteiro
Nuno Oliveira
Luís Calisto Graciano
Mariana Gaivão
Elísio Dias
Quintino Prata
Junta de Freguesia de Sanguedo
Sr. Fernando
Manuel Carvalho
Lipor
SubFilmes

Dossier de Imprensa
Fotos

Voltar O projecto surge a partir de um convite que me foi feito por Renzo Barsotti no âmbito do projecto Desalojar a Exclusão, numa co-produção entre a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, o Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua e a Castiis. “Baralha” pretende constituir-se como uma reflexão sobre as problemáticas da integração e, mais concretamente, sobre o modo de vida do acampamento cigano de Sanguedo cujo nome dá o título ao projecto. Este trabalho pretende reflectir sobre a etnia cigana, a sua história, a sua organização social e os desafios desta cultura nos seus processos de interlocução com a sociedade envolvente, apresentando algumas definições e conceitos sobre o movimento social, na perspectiva de identificar as diferentes observações dos autores (que colaboraram no projecto), alguns elementos que possam indicar, a partir da inserção dos ciganos, a formulação de políticas para as minorias étnicas relatando um pouco da história do povo cigano, que é praticamente desconhecida ou muitas vezes contada de forma folclorizada ou demasiado romântica. O projecto foi desenvolvido em três fases distintas, durante um período total de aproximadamente um ano, procurando a colaboração e o envolvimento de toda a comunidade com o intuito de promover um encontro de culturas e a aproximação de duas sociedades distintas. Inicialmente o projecto visava a criação de um espectáculo de rua tendo “Romeu e Julieta” de William Shakespeare como tema mas, com o desenvolvimento dos trabalhos, pareceu-me importante dar a conhecer a forma de vida em mutação desta população e a maneira como ela se está a adaptar a esta nova etapa. Presentes em Portugal desde o séc. XV, existem hoje em dia em Portugal cerca de 30 a 50 mil ciganos (segundo fontes diversas) sobre cuja cultura pouco ou nada sabemos. A comunidade cigana da Baralha resistiu a tudo e permanece bastante fechada ao exterior, num momento em que enfrenta um novo e decisivo desafio — a integração imposta em nome do progresso e da vontade política. Concebi este projecto pioneiro no interior da comunidade da rua da Baralha como uma forma de aproximar estes dois universos tão distantes. Aqui, vários criadores trabalharam junto da população (dentro do próprio acampamento) na criação de pequenas obras que funcionam como uma reflexão sobre diversas problemáticas artísticas e sociais que derivam do contacto entre os criadores e a população deste acampamento. Estes constituem o itinerário do espectáculo multidisciplinar onde se cruzam vários olhares sobre a realidade tão difícil em que vive esta população em processo de adaptação. Queria pois fazer um agradecimento muito especial aos criadores convidados para este projecto pelo empenho e dedicação que demonstraram em todos os momentos deste processo tão exigente e que produziram resultados difíceis de imaginar possíveis no início. Foram eles: Clara Andermatt, Beatriz Batarda, Dinarte Branco, Filipa César, Nuno Pino Custódio, Fernando Mota, André Príncipe bem como o atelier de design Barbara Says. Queria também agradecer à Susana Lamarão, Vanessa Patrício e ao Nuno Oliveira que acompanharam desde sempre com interesse este projecto. Mas sobretudo queria agradecer à família Monteiro que nos acolheu com enorme vontade de participar e dar a conhecer a sua cultura.